sábado, dezembro 30

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A respeito do Eufemismo

Era possível ver a versão in natura nas entrelinhas da versão que em mim estava chegando. Cada palavra cada expressão e cada sentença positiva em meu favor explicitava aquilo que eu queria que fosse realmente dito. Durante um primeiro momento fiquei furioso em ver o quanto meu desejo de responder a cada desaforo, fora abafado pela eufêmica versão.

“O eufemismo permite suavizar a realidade de um fato, dissimulando uma idéia desagradável ou brutal. Revela precaução e educação de quem fala”-Gramática.

“Figura de retórica pela qual se suavizam expressões tristes ou desagradáveis empregando outras mais suaves e delicadas”-Dicionário.

Em um segundo momento pensei o quanto estava errado em ter desejado o acesso à versão integral. Nada pior do que ter o direito de resposta enquanto a pessoa a que se deve a resposta não ouvir, ou ouvir eras mais tarde, e nem sequer tomar conhecimento.

E neste terceiro momento pensei na água e no vinho. De algo facilmente alterável (água), para algo que tem forma assumida, sabor, textura e que em grande quantidade alegra a vida (vinho).

Deixe-me explicar melhor.

No momento que a delicadeza fora esquecida, e a ira e estupidez do individuo, sobrecarregaram a situação – que sabiamente o destino não me permitiu presenciar, mesmo sendo eu o alvo do descontentamento – me fizeram refletir sobre o eufemismo.

Realmente os motivos que levam um sujeito aparentemente (aparência! Fabuloso recurso eufêmico) pacato a se revelar um monstro são ínfimos e largamente tratados em diversos meios. Destacam-se “O Incrível Hulk” e o filme “Um dia de Fúria”- fabulosa produção que me faz refletir a todo momento, me impedindo de atirar nos bandidos e dentro das lanchonetes. Confesso que algumas vezes, não poucas, me imagino como o sujeito do segundo filme e em algumas pouquíssimas como o “pele-verde”. Mas algo maior me possui e me faz abandonar a idéia junto com um feliz agradecimento ao Todo-poderoso, pelo fato da “educação traumática” - algo que ensina o individuo através do abalo mental, neste caso precedido pelo abalo físico intencional -não ter sido revelada, não por mim, mas por diversos tipos musculosos e por tipos desequilibrados que não tem nada a perder (me perdoem os educadores e psicólogos, sou apenas um mero blogueiro). E se tratando de abalo físico e mental, os jornais, tele-jornais, radio, internet, filmes, e o “boca-a-boca”, transmitem com excelência a violência, a beleza da morte, a justiça como deveria ser - leia-se a feita pelas próprias mãos – e com não muita importância a famosa questão da banalização da violência inerente a toda e qualquer discussão e que não será aqui tratada.


Inteligente emocionalmente.

Será isto? Será que descobri? Miúdos trocados, isto me soa como o bom e velho (velhíssimo!) bom senso. Ou então como aqueles conselhos do tipo respirar fundo, contar até 30, se imaginar em algum lugar tranqüilo, ou então o sempre oportuno “Deus lhe dê em dobro tudo o que me desejas” seguido de um virar de costas em direção contrária. Que na verdade me leva a pensar em outra coisa... Usar a razão!
Não se deixar levar pelo calor do momento. Por mais que seja só na imaginação. =]

Não esqueci da água nem do vinho. Água versus vinho. Água – solvente universal – inodora e incolor. Vinho, preparado de uvas fermentado e envelhecido. Como bons alunos do colegial sabemos que a água pode ser adicionada ou adulterada, são diversas as possibilidades, afinal de contas não ter cheiro, sabor e nem cor... Agora o vinho você sabe onde está, você percebe, cheira. É muito mais difícil de se alterar. Foi exatamente assim que me senti, “Vinho Goulart”. Mas também quero deixar claro é que o vinho quando muito fermentado vira vinagre, que é amargo pra caramba! Ou seja, tenho meus momentos de amargura, afinal de contas também sou ser humano!

Também não esqueci do eufemismo, o mesmo que faltou ao meu algoz e sobrou a meu informante. Definitivamente o eufemismo é essencial e maravilhoso. Produtor de versões suaves e que nos fazem refletir sobre o prisma das sensações e principalmente pensar no real acontecido compreendendo com muito mais maturidade e clareza o fato. Pois não estaremos cegos pela justiça própria e principalmente pela falta de formação/informação do individuo. Evita decisões precipitadas e principalmente ações parcialmente pensadas. Fundamental nas relações humanas de qualquer natureza.

“O eufemismo permite suavizar a realidade de um fato, dissimulando uma idéia desagradável ou brutal. Revela precaução e educação de quem fala”-Gramática.

“Figura de retórica pela qual se suavizam expressões tristes ou desagradáveis empregando outras mais suaves e delicadas”-Dicionário.

O eufemismo realmente é necessário, mas ele só funcionará corretamente se for utilizado com clareza e principalmente com o bom senso, pois todo o efeito positivo pode se tornar negativo com o mau uso deste recurso maravilhoso. Trato aqui de uma forma ampla para a utilização do recurso e não apenas em casos de morte ou acidentes.

Então este é o convite, usar e abusar do eufemismo, com inteligência e com sinceridade.

Existe uma regra chamada de ouro: “não faça/deseje ao seu próximo algo que você não faria/desejaria para si mesmo”.